Para quem deseja uma imersão completa na obra de Francisco Brennand.
Este percurso contempla em profundidade os espaços expositivos, os símbolos, mitos e a memória do território que abriga a Oficina. Caminhe com calma. Como a tartaruga cósmica, vá devagar, mas veja tudo.
Chão, o guardião de memórias
Inicie a visita sob a sombra da amendoeira, conhecida por aqui como “pé de coração-de-negro”. De lá, observe a vista panorâmica do Templo Central e a entrada dos Salões de Esculturas. Aqui é uma oportunidade para conectar-se com a história deste território: terra ancestral, Quilombo do Catucá, o Engenho Santos Cosme e Damião, a Cerâmica São João e a transformação no ateliê de Francisco Brennand, que veio a se chamar Oficina Francisco Brennand.
Pise devagar! Segundo as cosmovisões originárias, o chão é guardião de memórias e alimento da vida!
Alameda do Templo Central
Siga pela alameda em direção ao Templo.
Observe o mural “Mãe Terra”, onde esculturas expressam a ancestralidade natural do mundo.
Repare na narrativa silenciosa: somos filhos da mesma mãe – Gaia.
Veja a onça, as serpentes, os rios. Cada elemento é um elo entre mitos e matéria.
Templo Central – Cosmologias e mitos de origem
Entre sob a proteção dos Gatos Cinzas (Bastet), como nos antigos templos egípcios.
Avance entre os Pássaros Rocca, figuras da mitologia persa que guardam o templo.
No centro, pare. Olhe para cima: admire a Tartaruga Cósmica, símbolo de origem e sustentação do mundo em diversas tradições orientais.
Logo abaixo, descubra o Ovo Primordial – ponto de gravidade do universo simbólico da Oficina.
No chão, observe o Ofá de Oxóssi, símbolo da flecha, da direção e do sentido.
Leia as datas no piso, que demarcam os ciclos da Cerâmica São João e o nascimento da Oficina.
Atrás da cúpula, aproxime-se da fonte das Vênus. Veja os seres do bestiário aquático de FB.
Explore as figuras de Adão, Eva e Caim – símbolos da criação e da ruptura na tradição judaico-cristã.
Este é o coração da Oficina. Respire com atenção.
Salões das Esculturas
Adentre os salões, espaço pulsante da criação de Francisco Brennand, com mais de 500 obras distribuídas em 10 ambientes. Logo na entrada, observe o Ofá de Oxóssi e as esculturas em oferenda. Nos dois primeiros salões, aprecie a exposição “Núcleo Saturno”, da curadora da Oficina, Rita Vênus. Está lá o tempo, a tragédia e o destino que rondam a mitologia grega e romana.
Perceba como o primeiro salão orbita Saturno, enquanto no segundo, é o visitante quem ocupa o centro do universo. Percorra o corredor dos painéis e explore as técnicas diversas de Francisco. Na mesa dos experimentos, veja os revestimentos cerâmicos, obras experimentais e “acidentes do forno”.
No fim do corredor, observe o painel que abriga a sala-ateliê. À direita, está o salão da memória fabril: máquinas, altar, missa e fiéis cerâmicos. Já à esquerda, os antigos fornos foram transformados em templos para o fogo. Explore o anfiteatro grego e o antigo forno-palco, em referência às termas romanas.
No Largo do Totem Incubus, veja os painéis experimentais e admire Palas Atena, considerada a escultura mais bela de Francisco. Finalize com uma visita ao showroom da cerâmica produzida no museu-ateliê até 2014.
Finalize a visita com o showroom dos revestimentos cerâmicos, memória do ciclo industrial da Cerâmica São João.
Praça Burle Marx
Siga até a Praça Burle Marx. Tire os sapatos, pise na grama, sinta a paisagem como parte da experiência.
Observe os espelhos d’água que refrescam o espaço.
Repare no painel que questiona: estamos diante do Paraíso Perdido?
Veja o pássaro Rocca em vigília. Assista à serpente emplumada, símbolo mesoamericano, cuspir água diretamente nos espelhos – um gesto de vida e regeneração.
Accademia
Visite o entorno da galeria criada em 2000 por Francisco Brennand para expor suas pinturas. Atualmente, a Accademia o recebe exposições temporárias e atividades da programação Artística e de Educação e Pesquisa.
Templo do Sacrifício
Finalize a visita no Templo do Sacrifício, último ponto deste percurso em formato de ovo – símbolo da vida e do ciclo.
Veja o altar com o ovo cerâmico que guarda as cinzas de FB.
Observe o chão, composto por pedras vindas de um cemitério – marca do luto e da memória.
No centro do templo, contemple a escultura de Atahualpa, último soberano inca, preso em grades antes de sua execução.
Reflita sobre a história e a violência da colonização, expressa na presença do Cavalo de Troia, invasor simbólico da obra de FB.
Aqui, vida e morte se encontram.
Silencie.